Linha amarela amplia exportações para os EUA

2 de junho de 2026
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Indústria de equipamentos de engenharia civil, componente da chamada linha amarela recupera terreno e volta a ampliar suas exportações para os Estados Unidos.

Após a retração sofrida com sobretaxas ano passado, a indústria exportou US$ 473,5 milhões nos quatro primeiros meses de 2026, alta de 32,2% sobre igual período do ano passado, segundo dados da Amcham Brasil.

O valor indica retomada após a retração de 5,8% em 2025 – a maior queda dos últimos cinco anos -, interrompendo o dinamismo do comércio bilateral observado desde a recuperação pós-pandemia. Composta por máquinas pesadas para construção e mineração, como carregadeiras, escavadeiras e retroescavadeiras, a linha amarela representa quase metade de todas as máquinas e equipamentos exportados pelo Brasil para os EUA.

“A economia americana segue sustentando investimentos relevantes em infraestrutura, energia e digitalização, o que tende a impulsionar importações desses segmentos como equipamentos de construção, máquinas elétricas e soluções industriais”, destaca o diretor de políticas públicas e relações governamentais da Amcham Brasil, Fabrizio Panzini.

A recuperação em 2026, na avaliação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, reflete a atuação do governo para reduzir os impactos do tarifaço sobre a indústria exportadora brasileira, principalmente com o Plano Brasil Soberano, que disponibilizou R$ 40 bilhões em crédito em 2025 para linhas de financiamento de capital de giro, investimentos e diversificação de mercados, com recursos do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) e do BNDES.

Na avaliação de Leandro Lecheta, head do segmento de construção da CNH para as Américas, o impacto das tarifas foi menos intenso do que o projetado inicialmente. “Muitas empresas conseguiram se reorganizar operacional e comercialmente para preservar sua presença no mercado americano”, afirma. Nos últimos anos, por meio da marca Case Construction Equipment, a multinacional tem aumentado suas exportações de tratores de esteira compactos para os EUA a partir da fábrica de Contagem (MG). 

Para a diretora de competitividade, economia e estatística da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Cristina Zanella, no médio prazo, o cenário vai depender muito menos do ciclo econômico e mais das condições de acesso ao mercado americano. “Se as barreiras persistirem, o crescimento tende a ser limitado. Se houver avanço em negociações ou maior integração comercial, o setor pode voltar a crescer de forma mais consistente.”

No plano interno, a Amcham Brasil considera que a retomada depende de ganhos de competitividade, principalmente o fortalecimento de instrumentos de apoio às exportações, como a plena implementação do Plano Brasil Soberano.

“Em síntese, o crescimento exigirá a combinação entre melhor acesso ao mercado americano e maior eficiência doméstica, em um ambiente de competição global mais intensa”, afirma Panzini.

 

Fonte: Revista M&T

Por: ANALOC