Sua empresa está preparada para enfrentar uma crise?

1 de outubro de 2026
capa-crise
Um plano preventivo de gestão de crise para locadoras deve proteger três pontos essenciais: vidas, continuidade das operações e reputação da empresa. Precisa ser simples, conhecido pelas equipes e testado periodicamente.
  1. Mapeie os principais riscos

Classifique os riscos conforme a probabilidade e a gravidade:

Área

Exemplos de crise

Segurança

Acidente grave, morte, tombamento ou queda de equipamento

Técnica

Falha mecânica, defeito recorrente ou equipamento entregue sem condições

Operacional

Atraso de entrega, falta de peças, pane na frota ou indisponibilidade

Patrimonial

Roubo, furto, vandalismo ou apropriação indevida

Ambiental

Vazamento de combustível, óleo ou contaminação

Jurídica

Processos, autuações, interdição ou descumprimento contratual

Digital

Ataque cibernético, perda de dados ou paralisação do sistema

Financeira

Inadimplência elevada, fraude ou perda de cliente estratégico

Reputacional

Vídeos nas redes sociais, denúncia pública ou atendimento inadequado

Climática

Enchentes, incêndios, temporais e bloqueio de acessos

Cada risco deve ter um responsável, uma primeira resposta e um procedimento específico.

  1. Crie comitê de crise

Forme um grupo permanente, evitando decisões improvisadas:

  • Diretor responsável pela decisão final; 
  • coordenador de operações; 
  • responsável técnico e de segurança; 
  • jurídico; 
  • comunicação ou assessoria de imprensa; 
  • recursos humanos; 
  • tecnologia da informação; 
  • atendimento ao cliente. 

Defina também substitutos, telefones pessoais e um grupo exclusivo para emergências.

  1. Examine níveis de gravidade

Nível 1 — ocorrência controlável: atraso, pane isolada ou reclamação sem repercussão.

Nível 2 — crise relevante: acidente com ferido, paralisação de cliente, roubo importante ou denúncia nas redes.

Nível 3 — crise grave: morte, acidente de grande impacto, interdição, dano ambiental ou forte repercussão pública.

O nível determina quem deve ser chamado e quem pode autorizar declarações, despesas, substituição de máquinas e suspensão das operações.

  1. Os primeiros 60 minutos
  1. Proteger e socorrer as pessoas. 
  2. Isolar o equipamento e o local. 
  3. Acionar emergência e autoridades, quando necessário. 
  4. Interromper a operação que possa ampliar o dano. 
  5. Preservar documentos, imagens, telemetria e registros de manutenção. 
  6. Comunicar imediatamente o comitê. 
  7. Confirmar os fatos antes de divulgar informações. 
  8. Avisar seguradora, cliente e assessoria jurídica. 
  9. Definir um único porta-voz. 
  10. Registrar todas as decisões e horários. 

A empresa nunca deve alterar o local, apagar registros ou admitir culpa antes da apuração técnica. Isso não impede que demonstre solidariedade e preste assistência.

  1. Comunicação de crise

Prepare antecipadamente modelos de:

  • comunicado interno; 
  • mensagem ao cliente; 
  • nota à imprensa; 
  • resposta para redes sociais; 
  • orientação aos familiares; 
  • perguntas e respostas para atendentes e vendedores. 

Uma primeira declaração pode seguir esta linha:

“A empresa confirma a ocorrência envolvendo um equipamento de sua frota. As medidas de emergência foram imediatamente acionadas e nossa prioridade é prestar assistência às pessoas envolvidas. Estamos colaborando com as autoridades e realizando a apuração técnica. Novas informações serão divulgadas assim que forem confirmadas.”

Somente o porta-voz deve falar oficialmente. Funcionários precisam ser orientados a não publicar fotos, opiniões ou informações sobre a ocorrência.

  1. Prevenção operacional
  • Inspeção documentada antes de cada locação; 
  • histórico atualizado de manutenção; 
  • checklist de entrega e devolução; 
  • fotos do equipamento na saída e no retorno; 
  • comprovação de treinamento do operador; 
  • manual e orientações de segurança entregues ao cliente; 
  • rastreamento e telemetria, quando possível; 
  • critérios para suspender máquinas com falhas repetidas; 
  • auditoria de fornecedores e oficinas; 
  • plano de substituição rápida do equipamento; 
  • contratos com responsabilidades claramente definidas. 
  1. “Kit de crise” 

Mantenha uma pasta física e digital contendo:

  • contatos do comitê e das autoridades; 
  • apólices e contatos das seguradoras; 
  • contratos e documentos da frota; 
  • modelos de comunicados; 
  • lista de hospitais, bombeiros e serviços ambientais; 
  • procedimentos para cada tipo de ocorrência; 
  • credenciais alternativas para sistemas; 
  • relação de especialistas técnicos e empresas de remoção; 
  • formulário de registro cronológico da crise. 
  1. Treinamento e simulações

Faça pelo menos duas simulações anuais. Exemplos:

  • queda de plataforma elevatória com vítima; 
  • incêndio em equipamento dentro da obra; 
  • roubo de máquinas; 
  • vazamento de combustível; 
  • vídeo de acidente viralizando; 
  • ataque digital que paralisa contratos e faturamento. 

Após cada exercício, registre falhas, responsáveis e prazos de correção.

  1. Recuperação e pós-crise

Depois da emergência:

  • prestar assistência aos atingidos; 
  • investigar a causa-raiz; 
  • corrigir procedimentos e equipamentos; 
  • acompanhar repercussão e clientes; 
  • comunicar as providências adotadas; 
  • revisar contratos e seguros; 
  • calcular prejuízos; 
  • produzir relatório final; 
  • realizar reunião de aprendizado, sem transformar a apuração em busca precipitada por culpados. 

Indicadores preventivos

A direção deve acompanhar mensalmente:

  • acidentes e quase acidentes; 
  • máquinas com falhas reincidentes; 
  • manutenção vencida; 
  • reclamações por tipo de equipamento; 
  • tempo de resposta às ocorrências; 
  • percentual de operadores treinados; 
  • furtos e tentativas de fraude; 
  • exposição financeira por cliente; 
  • menções negativas e crises nas redes sociais. 

O Plano Preventivo de Gestão de Crises e Continuidade Operacional para Locadoras de Máquinas e Equipamentos deve conter, em cada procedimento, quatro respostas objetivas: quem aciona, quem decide, o que fazer e como comunicar.

 

Fonte: Primeira Página, Assessoria de Comunicação

Por: ANALOC